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Libido

Ahhhh a Libido.
Estou na pegada dos significados:
libido – substantivo feminino

1. procura instintiva do prazer sexual; desejo.
2psicn energia que está na base das transformações da pulsão sexual; energia vital, de acordo com as teorias de Freud.
3psicn energia psíquica [Segundo as teorias de C.G. Jung, apetite. ].

 

Essa tal da libido, energia vital, pode desaparecer nos pós-partos da vida. A minha demorou exatos 5 anos e 7 meses depois que engravidei da minha primeira filha. Eu na real nem sabia como ela era mais. Lembro como se fosse hoje: estava bebendo uma taça de vinho e senti um calor, uma sensibilidade epidérmica , e pensei: Oi Tati! Que saudades de você.

Não é que eu não tenha tido nenhuma vontade sexual ou criativa nesses anos, mas esse impulso vital nessa intensidade que é essencial pra se viver tinha desaparecido.

Fiquei esse tempo de pós-partos e amamentações me isolando cada vez mais do mundo. Meus impulsos eram fracos e sem muito incentivo concreto. As obrigações da casa e das crias me deixaram, junto a falta da libido e a ausências, destruída. Não tive pique pra sair, não tive pique pra encarar novos desafios, não enxergava caminhos.

Falando assim parece que passei 5 anos sem fazer nada. Não foi bem assim: atuei, criei logos, cartazes, banners, fiz projetos… mas e eu? Eu? Eu ser dançante, eu força vital, eu euzinha… não sei onde fiquei.

É muito cruel não entender o que acontece com uma mulher que gesta e pari uma criança. Logo que os primeiros meses passam ninguém entende que você ainda não está inteira (sem contar a pré disposição a depressões). E mesmo os que dizem ter empatia exigem de você essa força vital… uma disposição criativa e uma presença que você infelizmente não tem (e que na maioria das vezes nem sabe que não tem).

Então quando a dita cuja voltou era tarde para algumas coisas. Já era tarde e nem tinha percebido. Era tarde? O que não volta, não volta, então teria que aproveitar que estava começando a ser Eu por inteira e descobrir esses caminhos que tanto me custavam a aparecer. Consegui achar uma “terapia” que dava vazão a essa energia. Uma festa onde eu dançava por 8 horas até o sol raiar. Por que eu tinha parado de dançar??? Foi minha primeira pergunta depois da primeira festa. Por que tinha esquecido de mim?

Às mulheres que vivem ou viveram isso, força. E acredita: ela volta e é linda.

Dance!

significado

trair
verbo
  1. 1.
    transitivo direto
    iludir, enganar por traição; atraiçoar.
    “o rapaz prometeu nunca t. ninguém”
  2. 2.
    transitivo direto
    denunciar (alguém) em ato de traição; delatar.
    “o assaltante traiu o companheiro, entregando-o à polícia”
  3. 3.
    transitivo direto
    demonstrar infidelidade a.
    “traiu a esposa”
  4. 4.
    transitivo direto
    abandonar (crença, convicção etc.) de maneira traiçoeira.
    “traiu os princípios em que acreditava”
  5. 5.
    transitivo direto
    deixar de cumprir (uma promessa, um compromisso etc.).
    “traiu vergonhosamente seu juramento”
  6. 6.
    transitivo direto e pronominal
    revelar (algo) de maneira involuntária.
    “seus olhares traíam os desejos que lhe dominavam o espírito”
  7. 7.
    transitivo direto
    deixar de corresponder a (expectativas etc.).
    “traía sempre a boa-fé do irmão”
Origem
⊙ ETIM lat. trado,is,tradĭdi,tradĭtum,tradĕre (tb. transdo etc.) ‘id.’

Um ensaio sobre voltar a ser

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Quando nasce um novo ser, nós mães nos transformamos em novos seres também. Um ser cheio de olheiras que cheira a leite (não só você como a casa toda também) e parece um zumbi faminto. Os dias se seguem e tomar banho e lavar o cabelo vira uma tarefa dificílima, quase um sonho inalcançável. Esses novos seres nos sugam e nessa doação entregamos tudo de nós.

E nesse caminhar de entrega muitas vezes nos subtraímos. Esquecemos de nos olhar, cuidar, amar, sentir. E muitas vezes os hormônios não ajudam em nada. Muitas vezes nossa libido é jogada no esquecimento.

Então surgem, nessa era conectada de whatsapps e facebooks, os grupos de mães: esses outros seres zumbis cheios de amor para te acompanhar nessa entrega, dividir crises, conquistas – na maioria das vezes relacionado as crias – depressões (esses hormônios – ou a falta deles – não pegam leve), e tudo de mais um pouco. 😛

E então também começam a surgir assuntos como esse ensaio, um ensaio sobre voltar a ser. Assuntos básicos como o: EU. Eu mulher, eu prazer, eu toque, eu auto-estima, eu amor, eu bela, eu eu eu (eu ainda existo?). Como voltar a ser mulher depois de ter sido zumbi leitosa faminta por tanto tempo? Claro que não são todas as mulheres que perdem a libido após parir, que não são todas as mães que esquecem de se dar prazer, de se amar, de se sentir amada. Mas com algumas de nós acontece. Os peitos caem, a barriga ganha estrias, as olheiras não vão embora…

Então resolvemos encarar nossos medos, nossas questões, nossas vergonhas e num grupo de muita confiança e amor fizemos um ensaio de mulheres-mães para mulheres-mães. Nos maquiamos, nos olhamos, nos incentivamos, nos admiramos, nos fortalecemos e o mais importante lembramos como somos belas. Para nós, por nós. Para resgatarmos aquilo que já fomos ou que nunca soubemos ser. Entre insatisfações corporais e queixas, soubemos nos olhar. Que todas possamos ser capazes de encontrar essa essência mulher subtraída entre tantas trocas de fraldas e blusas vazadas de leite.

Sejamos.

Fotos: Natalia Araujo
Maquiagem: Mara Braga
Um projeto em parceria com Casa Laço

Para espantar as moscas

Outubro de 2012 foi a última postagem deste blog. De lá pra cá tanto aconteceu…

Maria já tem 4 anos e meio, e na história dos dias ganhou um irmão chamado Lucas que já está com 2 anos.

No momento o que me instiga a querer espantar todas as moscas, limpar as teias e jogar um Bom Ar por aqui é a crueldade da maternidade. “Nossa que exagero”…

Os últimos cinco anos da minha vida foram dedicados em gestar, amamentar, cuidar, administrar a família e a empresa, fazer e enviar notas, trabalhar de madrugada para não ser interrompida pelos mil quereres da primeira infância, esperar, esperar, esperar… Ainda consegui atuar aqui e ali com a Cia Acidental que sempre se esforça em ter empatia com o desconhecido do mundo mãe, e algumas poucas apresentações num sonho de verão…

Foram poucos momentos nestes anos que me senti protegida, que me senti acompanhada. Minha libido foi dar um rolê e só quando voltou tinha percebido o que era não tê-la por perto.

Na ideia de que nós mães temos que amar ser mães a gente se esquece. Eu me esqueci. Não sabia mais dançar, não sabia mais olhar o céu e admirá-lo por horas a fio… não sabia me admirar… me amar, me valorizar. Não sabia namorar. Não sabia esquecer os problemas…

Dinheiro, comida, fraldas, contas a vencer, prazos a cumprir, textos para decorar, educação para dar, atenção, atenção, atenção.

Passei cinco anos me esforçando para ter o mínimo de parceria que era vista como cobrança. De quem é a responsabilidade d@s filh@s? Quando lembro que ninei a Maria sozinha por 1h e meia todos os dias, penso: por quê? Por que aceitei a caverna, por que aceitei o não-eu, por que não percebi esses anos que isso não precisava ser assim? Na ideia de Hollywood, Disney e torres altas, quem somos nós mulheres para termos uma parceria real? Quem somos nós para exigirmos mais que o mínimo? Quem somos nós quando não ganhamos o sustento da casa?

Quem já cuidou de uma criança/ um bebê sabe o quão exaustiva essa tarefa é. Ela exige seu sangue, suor, calor, 24 horas por dia. Ela não te dá descanso nem mesmo na hora de fazer suas necessidades fisiológicas. E com uma libido morta e olheiras que chegam no pé de onde tirar forças para existir para além da maternidade? Como ser (ou) eis a questão.

Após alguns tapas na cara mais certeiros da realidade começo agora – mesmo que tardio – a busca por me reencontrar. Para além daquilo que aceitei ser, mãe, sem precisar abandonar o cargo.

Já achei uma terapia, onde o santo é forte e me faz ser a velha-eu pelas oito horas ininterruptas de dança, que só para quando o sol nasce, a música para e o metrô já te espera para voltar para casa.

Ainda tenho duras pedras pela frente, onde ciúmes, posse, medo me fazem querer a torre.

Sem torre e sem moscas.
De volta a vida com 2 etern@s companheirinh@s.
Vem ni mim 2017.

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Foto de Natalia Araujo – Maquiagem de Mara Braga

Dos presentes que a maternidade me deu. Parceiras de ideias, crises e cuidados 🙂

 

Hoje é dia da nossa Maria

Dormir já não era fácil, E para quê dormir? Sabíamos que em breve conheceríamos a tão esperada Maria, que foi Lucas, que foi susto, que era sonho, que é amor e alegria.

Por volta das 3h da manhã do dia 18 de Junho, uma tranquila segunda feira, acordei algumas vezes com os famosos pródomos do trabalho de parto. Deitava e conseguia cochilar por uns 20 minutos e acordava novamente. Às 4h30 as contrações aumentavam e fui achar conforto embaixo do chuveiro. O maridão, que foi/é um incrível companheiro nessa jornada, começou a contar o intervalo da música que vinha com água. Decidimos pegar as trouxas e ir à Casa Ângela (Casa de Parto) onde fizemos incríveis consultas e pretendíamos nascer.

Chegamos às 9h30 e fizemos um cardiotoco para ver as contrações e batimentos. Após caminhadas, almoço, lanche, conversas com a irmã/titia que foi outra deliciosa companhia nesta empreitada, danças no jardim, minha dilatação continuava inexistente e as contrações vinham de 20 em 20 minutos, meia em meia hora… e até às 19h ficamos por lá. Fomos depois a casa de um amigo para não pegar o trânsito da Zona Sul para a Zona Norte e chegamos em casa lá pelas 22h. Nesse tempo todo não tinha conseguido dormir, cochilar, nada. E às 23h30 comecei a ter contrações de 3 em 3 minutos com duração de 1 minuto cada contração – o que indica o trabalho de parto!

Voltamos a casa de parto e chegamos lá às 1h30 da terça feira. Estava com 4 cm de dilatação e após um cardiotoco na sala de exame fomos para o quarto. Minha irmã chegou por volta das 3h, fui da banheira pro chuveiro, pra bola, pra caminhada, pro abraço, pro aperto, pro chuveiro, pra bola e dormir que era bom não conseguia de jeito nenhum. Ficava de mau humor quando era acordada pela contração e preferia ficar acordada (já estava mais 24h sem dormir).

Às 8h30 da terça as enfermeiras da Casa Ângela consideraram o início do trabalho de parto – minha dilatação continuava nos 4 cm da madrugada. Às 14h fiz acupuntura pra tentar dormir um pouco, e, como disseram a tia e o pai, após a agulha na cabeça fechei os olhos como mágica. Dormi cerca de 40 minutos. O cansaço invadia o corpo e já não era forte para aguentar as contrações sem analgesia (Eu quero drogas!), decidi ligar para o meu obstetra – fiz o pré-natal com ele e com as enfermeiras da Casa Ângela – e ir para o Hospital.

Apesar de estarmos perto o trânsito da Marginal Pinheiros estava intenso. Sei que às 20h30 estava recebendo minha possibilidade de descanso. Meu pai, minha mãe e meu irmão apareceram para dar um ‘oi’, minha irmã teve que ir embora, pois só podia ter um acompanhante. Dormi por uma hora e voltei a andar, dançar, brincar, o meu obstetra estava em outro parto e só chegou às 2h da manhã da quarta.  Comecei a receber ocitocina sintética –  este hormônio também é liberado naturalmente durante o trabalho de parto, é usado sinteticamente para acelerar o processo. De uma em uma hora, uma enfermeira vinha verificar minha dilatação, e a passo de tartaruga ainda estava nos 7 cm. Às 5h o Dr. Alberto estourou minha bolsa e as contrações ficaram mais fortes (o efeito da analgesia já tinha passado fazia algumas horas) e pedi ao Dr. Cássio para aplicar mais uma dose. Dormi. Dormi por duas horas e acordei com o obstetra dizendo que agora era a hora (já havíamos – eu e Maria – feito algumas tentativas de força para nascer) e às 6h50 da quarta enviamos mensagens aos avós dizendo que ela estava vindo!  Cheguei a sentir a cabeça da pequenina! Enfim conheceria suas madeixas. Foram 40 exatas semanas e o dia havia chegado. Estava exausta, mas lá fomos nós fazer força. Era 8h e pouco e a Maria não encaixava… tentamos a última vez pois os batimentos estavam começando a ficar regulares e depois de mais de 48 horas de jornada fomos para a sala da cesárea.

Quando decidi ir para o Hospital São Luiz ainda na Casa Ângela sabia que esta possibilidade existia. Adepta do parto natural, li muitos relatos de partos que foram como desejados e partos com rumos diferentes. Mães frustradas, mães felizes, cesáreas empurradas, partos relâmpagos, partos demorados, falta de informação, bons e maus atendimentos. Estava informada, preparada. Fui para a sala de cirurgia sem culpa, sem medo, sem frustrações. Claro. O plano era nascer da forma mais natural e humana, não deu, tudo bem, tivemos Maria, senti Maria sair, o Ni (o marido) viu, chorou junto com ela, que nasceu de olhos rasgadinhos numa cesárea carinhosa às 9h33 do dia 20 de Junho de 2012.

A família não entende o porquê de passar por tudo isso e acabar numa operação de 45 minutos (pois é, entre preparar tudo e nascer, esse foi o tempo). Sei que faria tudo de novo. Cada momento que vivi foi intenso, procurei sempre respeitar meu corpo, meus limites e minha pequena, e assim o fiz. Pra mim a pior dor foi a do pós-parto. Depois de ficar de repouso da cesárea o primeiro levantar, o banho, o caminhar, tudo era dor. Me senti inválida. E aquele corte, este corte, não será nunca a minha primeira opção. A situação do Brasil está feia em relação ao parto cesáreo. Estamos muito acima da porcentagem dita ser saudável pela Organização Mundial de Saúde. Os hospitais e os médicos empurram as mulheres para a sala de cirurgia dizendo inverdades que assustam as mães. Bebês frutos do comércio prático e rápido. Acho que cada mulher deve ter o direito de escolher como quer passar por este processo mágico, mas no Brasil, atualmente, essa escolha não está fácil. Médicos de partos normais cobram e ponto. Não há médico de convênio fazendo parto normal, se há deve ser aquela pérola escondida e difícil de achar.

Voltando a nós três, depois que nasceu a Maria ficou no colo do Ni por cerca de 1h30 enquanto eu era costurada. Dei de mamar antes d’ela subir para o berçário onde ficaria 6 horas em observação. Estava amarela, com frio, voltando a sentir meu corpo, mas preenchida de luz e amor ao conhecer o que hoje é meu serviço de 24 horas, aqueles pequenos olhinhos, esse ser que alimentei e alimento com o meu corpo… é tudo mágico, indizível, inexplicável.

Amanhã ela faz 4 meses, e nossos dias são cheios de sorrisos e descobertas. Bem vinda pequena. Bem vinda!